Médicos já têm indicações sobre os doentes com Covid-19 que devem salvar

O rápido aumento dos casos de infeção por covid-19 em Portugal já levou a ordem dos médicos a emitir um parecer sobre quem deve ser salvo caso não existam meios para salvar todos.

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Estas recomendações deverão entrar em vigor no caso de escassearem camas e ventiladores em cuidados intensivos devido ao agravar da pandemia.

“Não se trata de tomar decisões de valor, mas de reservar os recursos que podem tornar-se extremamente escassos para aqueles que têm, antes do mais, maior probabilidade de sobrevivência após o tratamento”, sublinha o parecer.

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“Deverá ser privilegiando o prognóstico vital seguindo o princípio da proporcionalidade. Salvar mais vidas e mais anos de vida é consistente, tanto com perspetivas éticas utilitárias que enfatizam os resultados baseados no bem comum, quanto, com visões não-utilitárias, que prevalecem nos médicos portugueses, que enfatizam o valor único de cada vida humana”, indica ainda o documento.

O Conselho de Ética defende que ““não podem ser critérios de prioridade: a ordem de chegada do pedido de admissão ou da chegada aos serviços de urgência hospitalar. Apesar de muitos dos doentes serem idosos, esta por si só, nunca pode ser usada como critério. A presença de co-morbilidades e o estado funcional dos múltiplos órgãos devem ser cuidadosamente avaliados, juntamente com a idade”.

“Os doentes onde o benefício é mínimo e improvável por doença avançada ou terminal não devem, tal como em situações de não emergência, fazer terapia intensiva. Todas as decisões de limitação de acesso deverão ser devidamente fundamentadas e resultar de um consenso da equipa de saúde. Esta decisão deverá ser comunicada (ao próprio (sempre que possível) e aos familiares) e registada no processo. Nas situações de tomada de decisões que se apresentem de particular dificuldade e incerteza clínica ou moral, deve ser procurada (por telefone ou outro meio), tanto quanto possível, uma segunda opinião de pares experientes”

Segundo o documento, os critérios devem ser revistos periodicamente e “o apoio onde esteja disponível o respetivo equipamento e técnicos, de qualquer meio de oxigenação  extracorporal, deve ser reservado para casos estritamente selecionados e com previsão razoável de um abandono relativamente rápido”.

“Os familiares de todos os doentes que morram durante este período deverão receber apoio psicológico e/ou espiritual adequados à sua necessidade e vontade”, indica ainda o documento.

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